No ensaio introdutório de Jaa Torrano à Teogonia, de Hesíodo, logo no segundo capítulo do texto, o helenista recorda o imenso poder que os povos ágrafos atribuem à palavra. Existe, para eles, uma relação mágica entre o nome e a coisa nomeada. Uma vez pronunciado, o nome traz à presença a própria coisa.
Assim, quando canta os versos da Teogonia, Hesíodo (séculos VIII-VII a.C.) está convicto de que são as Musas que cantam por meio de sua voz. E que, ao cantar, instauram no presente imediato os entes divinos cujos nomes pronunciam. O nome não apenas evoca, mas também invoca a coisa que nomeia. O nome é a coisa. Esta maneira de entender a palavra está viva na prática dos mantra indianos. Para seus adeptos, o mantram não alude à divindade ou ao sábio a que se dirige. O mantram é a própria divindade ou o próprio sábio. E, pronunciado com sinceridade e concentração, configura-se como um canal para que esse ente superior se manifeste.
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Escrito por Olivia Neta às 17h35
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